A Guerra de Canudos foi muito mais que um conflito armado - representava a defesa de um modo de vida alternativo, fundamentado na fé, na justiça social e na resistência dos pobres diante da opressão do Estado recém-estabelecido da República.
Sob a liderança espiritual de Antônio Conselheiro, o povoado de Canudos organizava-se em torno de valores cristãos comunitários. Ali, não existiam latifúndios, cobrança de impostos abusivos ou exploração. Os sertanejos encontravam em Canudos aquilo que lhes era negado pelo Brasil oficial: pertencimento, dignidade e sustento.
O povo de Canudos defendia:
- A liberdade religiosa, baseada em uma fé viva e popular;
- O direito à terra e à moradia, mesmo sem títulos legais;
- A autonomia diante de um governo que não os representava;
- A igualdade entre os pobres, com divisão justa do trabalho, do alimento e da fé.
A República, que prometia liberdade, foi encarada por muitos sertanejos como uma nova forma de opressão. Canudos, por sua vez, defendia a sobrevivência de um povo e o sonho de uma sociedade mais justa, ainda que simples e pautada na religiosidade. Por isso, sofreu ataques violentos.
Na prática, a Guerra de Canudos representava o direito de existir de forma diferente - e, por isso, foi brutalmente esmagada.